16 de dezembro de 2012

A carta que eu nunca vou receber.


Ela era diferente de todas as pessoas que eu conheci. Quando as pessoas a viam na rua, a confundiam com todos, menos com quem ela realmente era, mas quando ela sorria, nao tinha como confundir, já eu, sempre a reconheci de longe. Por mais que a julgassem, ela não ligava. Quantas vezes não rimos de vários apelidos que colocavam nela e com as confusões que faziam? Ela era do tipo que parecia ter o mundo a seu favor, todos gostavam dela e eu não achava nada estranho porque ela sempre marcava com aquela alegria e dava pra sentir quando ela chegava perto porque era fácil de ouvir os risos que as pessoas davam das piadinhas e do jeito todo desastrado que ela tinha, mas embora desastrada, era a melhor pessoa do mundo pra mim. Eu achava que tinha tudo sob controle porque sempre acreditei em cada palavra que ela dizia, não porque eu a conhecia, mas ela conseguia passar isso quando conversava comigo e, muito segura disso, deixei de cuidar. Por mais que ela parecesse forte, eu sabia que ela tinha muitos medos, ela me contava tudo o que acontecia e morria de ciúmes quando eu começava a namorar com alguém e sempre me dizia: “Agora você vai me trocar” e ela teve razão em algumas vezes. Ela morria de ciumes de mim, ficava calada e quase não conversava comigo enquanto eu estava namorando porque, segundo ela, não queria atrapalhar e por fim, eu acabei não fazendo muita questão já que passava parte do tempo com meu namorado e demorava demais pra respondê-la, mas ela nunca me abandonou e em todas as vezes que eu terminei o namoro, muitas vezes em três meses como ela sempre dizia, era pro colo dela que eu corria e chorava e era ela quem tentava me animar dizendo que eu merecia coisa melhor, e talvez merecesse mesmo, mas sabe como são essas coisas de sentimentos. Mesmo eu indo embora, a ignorando e não dando a atenção devida, ela nunca me abandonou. Brigamos muitas vezes porque eu também morria de ciúmes dela e ela sempre aproveitava pra tirar uma com a minha cara, dizendo que eu ficava linda com ciumes e rindo dizia que eu tinha ciumes a toa. Pois é, ela se manteve firme durante muito tempo. Eu mudei a minha vida, cresci, virei mulher e ela, ainda que mais velha do que eu continua uma eterna criança que chora quando uma promessa é quebrada ou quando chove e não pode jogar bola. Eu quase casei com o cara que ela mandou eu ter cuidado e me engravidou, mas ele me deixou. Quando esse cara me deixou e eu queria me matar, fui conversar com ela e ela me disse que arrumaria a ponte mais alta pra que eu pulasse. Se foi senso de humor ou ironia, só Deus sabe, fazia tempo que eu nao conversava com ela, foi quase no meio do ano em que a vi pela ultima vez, em seu aniversário de 21, feliz da vida, como se nem se importasse com a idade que tinha, feliz como sempre e animando todo mundo, mas pelo olhar dela eu sabia que tinha algo errado e ela me contou que sua mãe estava internada por ter perdido o bebe. Mais uma vez ela precisou de mim e eu estava ocupada com o “amor da minha vida” que me trocaria em alguns meses. Mas depois disso, eu tive minha filha, conheci outro cara e sempre que entrava no msn e ela me chamava querendo saber como eu estava, eu ignorava, meu namorado falava o tempo todo. Fui grossa com ela uma vez e disse que depois a chamaria pra conversar, mas eu não chamei. Eu acho que ela espera isso até hoje e já faz mais de um ano. Eu falhei, eu a abandonei, deixei pra trás a única pessoa que até hoje realmente se importou comigo, que ia escondido no meu trabalho, me levava um lanchinho e passava 20 minutos comigo, indo embora correndo porque meus pais não gostavam muito dela. Ela me ouvir, me viu chorar, me deu colo, o ombro, os ouvidos, me deu atenção, carinho e preocupação. Me deu tudo o que uma pessoa precisa pra conseguir caminhar, e eu? Dei as costas. Esses dias eu recebi uma mensagem dela no meu facebook, ela tava se despedindo, dizendo que o tudo dela não foi o suficiente pra mim, mas eu não tive coragem de responder. Li e reli aquelas linhas uma três vezes querendo muito que aquilo não fosse verdade, que eu pudesse voltar no tempo e pedir desculpas por tudo, mas eu não poderia fazer mais nada. Seria injusto com ela. Hoje eu acompanho as mensagens pros novos amigos dela, parece que tem uma melhor amiga que faz mais por ela do que eu fiz e as vezes peço pra que ela não a machuque como eu a machuquei. Fico vendo foto de viagens que ela fez pra conhecer pessoas que colocam sorriso no rosto dela, coisa que eu fazia, e torço pra que elas não a façam chorar. Hoje eu vejo ela diferente, feliz, como se uma parte dela tivesse crescido, mas ainda conservando a criança dentro dela. Sei que mesmo que eu voltasse e a deixasse feliz, ela não confiaria mais em mim, porque fiz isso recentemente e mais uma vez eu fui embora. Hoje, o que eu mais queria era poder correr pro colo dela, abraçar ela bem forte e dizer: Eu sinto muito, volta a ser minha melhor amiga?

A carta que eu nunca vou receber.                          - wheneveryoufall

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